DEFINITIVAMENTE, nunca fomos
anjos
Pode-se
dizer que o tempo, segundo Heráclito, foi representado com essa cena: “Um
homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio.” Tudo flui, em suma. Tudo
passa. O nosso passado define nosso presente, que será passado e influenciará o
futuro. E logo, não existe “velho” ou “novo”, na boa.
Sempre considerei
que tempo é a coisa mais bobinha de se discutir. Tá certo, sempre pensei mais
que alguns, por isso, penso muito. Faço muita coisa, também, mas com o tempo,
acho que pensamos mais ainda. E percebemos que ele, o tempo, não existe. É
bulshit.
Logo, CARPE
DIEM. Porque o DIEM nunca mais será o mesmo e nunca mais se repetirá. E ponto.
E sabe de
uma coisa? Nunca fomos anjos. Você já vai entender o motivo disso, desse meu
dizer...
Bling Ring
é uma expressão que identifica o som imaginário produzido pela luz refletida
por um diamante. E indico um filme que leva essa expressão:
The Bling
Ring: Nicki (Emma
Watson), Marc (Israel Broussard), Rebecca (Katie Chang). Sam (Taissa Farmiga) e Chloe (Claire Julian), entre outros jovens de Los
Angeles têm em comum uma vida meio vazia, de pais ausentes, como Laurie (Leslie
Mann), mãe de Nicki, que não tem a menor noção do que as filhas estão fazendo
nas ruas durante o dia e, pior, durante a noite. Fascinados pelo mundo glamouroso
das celebridades das revistas, como Paris Hilton, e artistas como Kirsten
Dunst, o grupo começa a fazer pequenos assaltos na casa dessas pessoas, quando
descobrem que entrar nas residências deles não é nada difícil. Cada vez mais
empolgados com "os ganhos", o volume dos saques desperta a atenção
das autoridades, que decidem dar um basta nos crimes dessa garotada sem
limites. Baseado em fatos reais.
Sim,
baseado em fatos reais, isso é que é pior. Puxa!
Talvez falte
para os jovens contemporâneos, bons exemplos de FATO. Como a lista dos 10 mais
de todos os tempos (que David Coimbra citou em sua coluna de Zero Hora):
A edição de agosto
da revista Aventuras na História fez uma pesquisa entre leitores e com
historiadores brasileiros e estrangeiros a fim de apurar quem foram as 10
pessoas que mais mudaram o mundo. Ou seja, as pessoas mais influentes da história
humana. O resultado foi o seguinte:
Albert Einstein + Jesus Cristo + Adolf Hitler + Karl Marx + Sigmund Freud + Vladimir Lenin + Abraham Lincoln + Mao Tsé-Tung + Josef Stalin + Charles Darwin
Olha o que o Marcelo Perrone ESCREVEU SOBRE ESSE FILME:
Pedofilia é um tema com abordagem por
demais espinhosa. Encará-lo sem os rodeios melodramáticos e os julgamentos
morais recorrentes na ficção é um dos muitos méritos de Thomas Vinterberg na
condução de A Caça, filme dinamarquês que estreia amanhã em Porto
Alegre e já se coloca entre os lançamentos cinematográficos deste ano. Porque a pedofilia, para Vinterberg,
é um ponto de partida para desnudar outras questões complexas que envolvem as
relações afetivas e sociais.
A carga emocional de A Caça está
sobre os ombros de Mads Mikkelsen, o protagonista, aclamado com o prêmio de
melhor ator no Festival de Cannes de 2012. É um ator em fase de graça.
Conhecido do grande público como o vilão de 007 – Cassino Royale e
dos apreciadores dos filmes de arte por trabalhos do porte de Coco
Chanel e Igor Stravisnkye O Amante da Rainha,
Mikkelsen, 47 anos, está à frente também da série de TVHannibal.
Seu personagem em A Caça é Lucas, professor do jardim de
infância de uma cidadezinha do interior da Dinamarca, onde a rotina dos homens
é ainda um tanto tribal – bebem muito, cantam com copos erguidos, banham-se no
rio congelado e caçam veados na floresta. Lucas faz parte dessa turma. É
querido pelos amigos e adorado pelo pequenos alunos. Com a proximidade do
Natal, o professor está animado com a chegada do filho adolescente, que mora em
outra cidade com a mãe e decidiu viver um tempo com ele. Então vem o baque. Klara (Annika Wedderkopp), linda garotinha
que, além além de aluna, é filha do melhor amigo de Marcus, diz à diretora da
escolinha que Lucas fez coisas "impróprias". O que o espectador viu
até então foi Lucas se portar diante de Klara como uma figura afetiva e
protetora – suprindo, aos olhos da introspectiva menina, uma certa negligência
de seu próprio pai. Vinterberg não faz suspense com o
fato de Lucas ser ou não ser culpado do ato abjeto que lhe imputam Klara e
todos os que nela acreditam. Nada é sonegado ou fica nas entrelinhas. Sabemos
de pronto o que ocorreu. Recurso que é o grande achado narrativo do diretor
(corroteirista da trama) para fazer de A
Caça um filme tão impactante.
Interessa mais a Vinterberg não a
abordagem direta de um suposto crime ou as especulações psicológicas acerca das
fantasias infantis. O centro nervoso do filme está nas consequências do
episódio, estopim para uma tensão crescente, como no longa que revelou o
cineasta, Festa de Família (1998): A Caça também trata das máscaras vestidas por
aqueles que não são bem quem aparentam ser quando as condições estáveis do
convívio social sofrem algum sobressalto. A acusação faz de Lucas um pária. Os amigos lhe viram as costas,
e a hostilidade descamba em tortura psicológica e agressão físicas. Vinterberg
promove um acurado estudo comportamental do que se convencionou chamar de
movimento de manada. A cidadezinha dinamarquesa surge aqui como um espelho do
mundo contemporâneo, onde o gatilho da hipocrisia, da intolerância e do
obscurantismo não raramente é disparado pela falta de informação ou pela
leitura convenientemente torta dos fatos.

Nós nunca fomos anjos. Nem quando
crianças. Todos somos um pouco de tudo. E PELOAMORDEDEUS, isso não é defesa de
pedofilia, que é claro, é completamente imoral e amoral e inaceitável. Mas olhe
o filme, prá entender.
Somos todos hipócritas com relação aos
sentimentos. Um misto de meleca com cocô. Na verdade, os instintos sempre
estiveram lá. Ou aqui. O que nos separa deles, é um momento de lucidez. Um só.
Ou não.
Somos seres complexos. E como Freud já
dizia:
Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.
Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver
uma vida mais normal e completa.
A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos
instintos.
Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.
O pensamento é o ensaio da ação.
A sede de conhecimento parece ser inseparável da curiosidade sexual.
O homem enérgico e que é bem sucedido é o que consegue transformar em
realidades as fantasias do desejo.
Hum, muito bom esses 2 últimos.