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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Morte idiota e efemeridade





A gente tem necessidade de se inserir em tudo, se posicionar. Até numa tragédia. Na real, quando situações desastrosas acontecem (e acho que Santa Maria foi mais uma SITUAÇÃO DESASTROSA que um desastre), percebemos a nossa própria efemeridade. Alguns mais, outros menos.

Quando aconteceu a chamada “Tragédia da Tam”, foi a mesma coisa. Uma sensação de “Podia ter acontecido comigo” ou “Com algum parente” ou “Com algum conhecido”, tomou conta de muitos de nós. Santa Maria teve o poder de fazer isso de novo. Fazer a gente parar para pensar.

Na real, esses fatos são isso: momentos em que a humanidade pára para pensar. Párar para pensar. Tá certo isso? “Párar para pensar”? Certo das duas formas, do ato de ficar quieto e do português correto?*

Nós pensamos pouquíssimo, no nosso dia-a-dia. Pensar dói. Dói na alma. Porque nos confronta com nossa realidade, nossos deveres, nossas responsabilidades e pior, nossas irresponsabilidades.

Quer saber? Nossa culpa, MEA CULPA, minha máxima culpa. Todos nós temos culpa. O que nos choca, muitas vezes, é nossa falta de atitude, nosso conformismo com as coisas e situações, nossa omissão. Nosso “Deixa prá lá”. “Amanhã eu vejo.” “Vamos ser otimistas, e pensar que tudo vai dar certo.” “Nada vai acontecer. Não seja pessimista.” E “Viva la vida!”. E faça-se a festa.

Eita. E assim seguem governos, empresas, pessoas. Deixando prá lá. Deixa estourar. Preocupe-se se arrebentar, se cair, se pegar fogo. Se matar. Infelizmente, todos nós, todos nós mesmos, em algum momento, em alguma situação, somos assim. Será que é prá aguentar as coisas da vida, relaxar, estar em férias da consciência? Não levar a vida tão a sério? Sei não. Acho mais que é cultural. Alguns povos são mais omissos, ou menos, sei lá. Mas na real, o nosso tão aclamado “Jeitinho brasileiro”, sempre me irritou um pouquinho. Nunca enalteci isso. Tá certo, a gente se vira, a gente se ajuda, mas na real, não seria isso uma “Administração sob espasmo”? Será que somos improvisadores porque somos criativos ou improvisadores porque somos amadores?

Esse caso de Santa Maria me faz pensar. E eu gosto de pensar. Penso muito, e pratico muitas vezes. Outras não. Mas vou ponderar algumas questões que estão sendo levantadas nesse caso, e não são poucas (e infelizmente, provavelmente, vou esquecer alguma, e nesse caso, me manda um email prá me lembrar, ou comenta aqui. Ah, a ordem numérica não vislumbra a importância dos itens, é só uma questão de organização, people):

1) Shows pirotécnicos: “O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, disse ao R7 que o uso de fogos em um estabelecimento fechado deve ser sempre autorizado pela corporação.” Veja mais: http://noticias.r7.com/cidades/show-pirotecnico-sem-autorizacao-foi-falha-dos-responsaveis-pela-boate-em-santa-maria-diz-comandante-dos-bombeiros-do-rs-28012013

A PENSAR: isso é causa ou consequência? E na real, o que importa mais, a causa ou a consequência?

2) Infraestrutura do ambiente: “Uma boate pequena, com 150m2, chega a abrigar cerca de 400 pessoas”, diz o Sebrae. Veja mais em http://www2.ms.sebrae.com.br/uploads/UAI/fichastecnicas/boate.pdf

A PENSAR: quantas casas noturnas, quantas EMPRESAS são adequadas a funcionar? Já ouvi de empresas dos mais diversos segmentos (e não somente do entretenimento), o seguinte: “Vamos inaugurar assim, depois a gente coloca em dia”. Só que o “depois”, ás vezes nunca chega. É a legitima “Administração do puxadinho”. E quase todas empresas são assim. E muitas vezes, essas empresas são lindas por fora. Grandes fachadas. Mais vale a estética que a infra??? Faxina “por cima”, coloca o lixinho embaixo do tapete?

3) Brigada de Incêndio e equipe preparada: encontrei a definição na internet “Brigadas de Incêndio são grupos de pessoas previamente treinadas, organizadas e capacitadas dentro de uma organização, empresa ou estabelecimento para realizar atendimento em situações de emergência. Em geral estão treinadas para atuar na prevenção e combate de incêndios, prestação de primeiros socorros e evacuação de ambientes”. Não sei se é obrigatório ou não, e em que casos uma empresa precisa preparar equipes a enfrentar situações emergenciais.

A PENSAR: se é lei ou não, isso importa? Por que não fazer isso como um diferencial de postura, de valorização da marca? Porque simplesmente não nos preocupamos com segurança até o momento que sentimos falta dela. Existe a mania de valorizar mais as questões bonitinhas do que as necessárias. Que coisa. Ter uma equipe preparada, nem que seja prá usar um extintor de incêndio, deveria ser um dos valores de TODAS empresas (e ás vezes, no papel, é. Mas infelizmente, só no papel).

4) Bombeiros: “O oxigênio acabou e entramos na raça”, diz bombeiro de Santa Maria. E veja isso: “Segundo o comandante-geral da Brigada Militar do RS, o alvará da Boate Kiss estava em processo de renovação, o que não exigia o fechamento da casa noturna.” Veja esse último depoimento na integra: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/boate-poderia-funcionar-com-alvara-vencido-dizem-bombeiros

A PENSAR: ouvi alguém dizer que podemos separar os bombeiros em duas partes, aquela dos heróis, pessoas que arriscam suas vidas prá salvar outras e a parte administrativa da instituição. Dez prá primeira. E nota ??? prá segunda. Alvará prá quê, né mesmo?

5) Prefeitura. Estado. País. Leis: quem fiscaliza aqueles que fiscalizam?

A PENSAR: e quem puder, que faça alguma coisa.

6) Administração de Crise: Grandes países são muito bem preparados para isso. E nós? Hã??? Veja isso: “A tragédia que vitimou mais de duas centenas de vidas na boate Kiss, em Santa Maria (RS), é um retrato da negligência de parte dos empresários brasileiros com gerenciamento de risco. De acordo com uma pesquisa feita pela consultoria KPMG com as cem maiores companhias do país, 56% afirmaram que não existe um departamento específico para antecipar possíveis crises. E muito dessa postura pode ser explicada pelo fato de que gestores pensam que investimentos em segurança encareceriam muito o serviço prestado aos clientes”. E se quer ver na integra: http://www.amanha.com.br/home-internas/4174-as-licoes-de-santa-maria

A PENSAR: muito. E sempre. E apreciar marcas e empresas que pensam. E agem.



Jovens perderam suas vidas. Mas a questão não é se eram jovens ou não. Importa que perdemos pessoas. Não somente aquelas que morreram fisicamente, mas também aquelas que perdemos emocionalmente, e por consequência, produtivamente. Que talvez nunca mais voltem a ser o que eram. E continuam andando entre nós, mas talvez, só andando. Zumbis por decorrência da situação.

E afinal, o que é uma morte idiota? Cair do telhado? Receber uma descarga elétrica (choque)? Morrer porque caiu em um bueiro na rua?

Mortes idiotas talvez sejam todas aquelas que nos pegam de surpresa. E nos fazem pensar. Pensar até mesmo, como isso tudo aqui, é passageiro. Efêmero. Somos efêmeros. Mas o que fazemos, não. Ou aquilo que deixamos de fazer.

Somos todos sobreviventes, a exemplo do case dos Andes? Ou nos devoramos sem necessidade? Somos todos parte disso.

*Explicando: Pára ou Para?

1) Com as alterações de grafia trazidas pelo Acordo Ortográfico de 2008, importa analisar se o acento agudo de pára (verbo) foi abolido, ou continua existindo.

2) No passado, a regra era o emprego do acento agudo na forma verbal pára (flexão do verbo parar – ele pára), a fim de diferenciá-la da preposição para.

3) A explicação para essa ocorrência era que o verbo constituía forma tônica, enquanto a preposição era forma átona, de modo que se empregava, assim, na primeira, um acento diferencial de tonicidade.

4) O Acordo Ortográfico de 2008, porém, aboliu, de modo expresso, esse acento agudo da forma verbal para, de modo que, hoje, o correto é escrever sem acento algum tanto a forma verbal como a preposição, como se confere a seguir: a) "Então, estranhamente, sem motivo algum, ele para no semáforo aberto" (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo parar); b) "Instruções para pouso na água" (preposição).



Já quanto a parar para pensar, depende de você. Pare ou não. É com você.

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